Verdade que diz respeito à varredura do Exército no novo presídio de Ariquemes

 

 

Da forma como foi informado à imprensa, sobre a grande quantidade de materiais como serras, artes e pedaços de ferro e outros objetos, encontrados  no  recém-inaugurado Centro de Ressocialização de Ariquemes, se vê uma tentativa clara de omissão da verdade ou indução ao erro. As apreensões ocorreram durante uma operação de revista realizada na última quinta-feira (10), comandada pelo Exército.

 

Quando se noticia que “serras, drogas e ferros são apreendidos em presídio onde apenas funcionários e presos tiveram acesso”, o objetivo sutil da manchete é valorizar a suspeita com foco nos servidores penitenciários – o que foi reforçado nas declarações parafraseadas do general da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, José Eduardo Leal de Oliveira:

 

 “...disse que se surpreendeu ao ver a quantidade de serras e pedaços de ferro apreendidos nas celas do novo presídio de Ariquemes, que foi inaugurado há poucos dias.”. (G1/RO - 11/08/2017 09h21). Trazendo ainda, em parágrafos seguintes, declarações que teriam partido do secretário de Estado de Justiça (Sejus), coronel da Polícia Militar  Marcos Rocha: “se disse suspeito uma vez que, segundo ele, nenhum dos 480 apenados do novo presídio receberam visitas de parentes.”; “Ou seja, apenas os presos e os funcionários da casa tiveram acesso ao presídio.". (sic)

 

Fechando finalmente com a fala entre aspas de Marcos Rocha: "o governo tem feito de tudo para controlar o que entra nas unidades prisionais. A questão é o caráter de algumas pessoas que têm acesso ao sistema".

 

Quando frisa “a questão é o caráter de algumas pessoas que têm acesso ao sistema", no contexto que “apenas  funcionários e presos tiveram acesso” à recém-inaugurada unidade prisional de Ariquemes, o secretário da Sejus se faz fonte de informação para tentar manchar a imagem dos agentes penitenciários e coloca-los, injustamente, sob suspeita.

 

A REALIDADE

 

O Centro de Ressocialização de Ariquemes, que teve um custo de mais de R$ R$ 25 milhões (quase o triplo do previsto inicialmente), foi entregue pelo Estado no último dia 27 de julho, com 7 anos de atraso. Mas, são os noventa dias finais até a inauguração é que estão relacionados à varredura do Exército e os objetos encontrados.

 

A questão,  é que a nova unidade foi inaugurada com capacidade para apenas 198 presos. E para receber mais que o dobro dessa quantidade, os 480 que foram transferidos da Casa de Detenção de Ariquemes, a Secretaria de Justiça teve que improvisar. Cada cela, por exemplo, com capacidade para 8 detentos, teve espaço reduzido para ser construída mais camas de concreto a fim de comportar 14 presos (quase o dobro). E essas obras de reparação, como também acabamento, foram realizadas nesses últimos 90 dias, por presidiários.

 

Ao todo, 25 detentos circularam pelas alas do novo presidio, durante os três meses anteriores à inauguração. Vale lembrar que a unidade possui 4,56 mil m² de área construída, em um terreno de 32,6 mil m², com uma estrutura composta por 56 celas distribuídas em três blocos.

 

Nesses 90 dias de obras, apenas um agente penitenciário foi designado pela administração penitenciária para acompanhar os trabalhos dos presidiários. Ainda há informação que, em algumas situações emergenciais, o servidor tinha que se ausentar do local para providenciar água e alimento. O presídio está situado a 10 quilômetros do centro de Ariquemes, em área rural onde não funciona telefonia celular.

 

 Obviamente, para fiscalizar as ações de cada presidiário/operário, o servidor, no mínimo, teria que ser onipresente. Compreende-se, portanto, que os presos ficaram literalmente livres para eventuais arquitetações, como ocultar, no ambiente, sobras de ferros ou de outros materiais utilizados nas obras. Lembrando que, além da construção das camas de concreto (com a necessária utilização de vigas de ferro), nesses 90 dias também ocorreram serviços hidráulicos, com usos de cerras, bem como de serralheria.

 

Contudo, não é justo julgar que todos os materiais apreendidos na operação do Exército procederam de intenção criminosa, já que pedaços de ferros e serras também podem ser simplesmente deixados pelos cantos, ao final de uma obra, por relapso ou relaxadamente.

 

RECAPITULANDO

 

A matemática é simples: o Centro de Ressocialização de Ariquemes foi inaugurado no dia 27 de julho recente. Durante os 90 dias anteriores à inauguração, 25 presidiários trabalharam nas obras, sob a vigilância de apenas um servidor, utilizando serras e os mais variados elementos de ferro. Sete dias após a inauguração, 11 detentos fugiram da unidade, após serrarem grades das celas B-23 e B-24.

 

Exatamente uma semana após as fugas,  no último dia 10, ocorreu a varredura na nova unidade de Ariquemes, que contou com a participação de 400 homens das Forças Armadas e órgãos de segurança pública estadual. Diga-se de passagem: quase um para cada preso, quando a outra realidade nesta mesma unidade  é de 5 ou 6 agentes, por plantão noturno, para 480 presos. Ainda foram empregados na operação  diversos meios e aparatos de guerra, como 26 viaturas militares, nove detectores de minas, dois detectores de equipamentos eletrônicos, cinco cães farejadores e outros.

 

Com todo esse contingente de pessoal, e com todos esses recursos e equipamentos de alta precisão, o general da 17ª Brigada ainda “disse que se surpreendeu ao ver a quantidade de serras e pedaços de ferro apreendidos nas celas do novo presídio de Ariquemes, que foi inaugurado há poucos dias”? - de acordo com o G1/RO.

 

APREENSÕES

 

Foi divulgado que a operação resultou na “apreensão de aparelhos celulares, carregadores, chips de celular, drogas, isqueiros, 26 objetos cortantes, incluindo serras para cortar ferro, e 999 hastes de ferro que poderiam ser usadas como armas”. Lembrando que alguns noticiários deixaram de informar que esse montante de materiais aprendidos refere-se às revistas nas três unidades prisionais de Ariquemes: no Semiaberto, na Casa de Detenção e no presidio novo, o Centro de Ressocialização; e que essa grande quantidade de ferros foram localizadas pelos detectores do Exercido no presídio novo, cujas obras foram concluídas recentemente pelos presidiários, e foi inaugurado sem ocorrer uma vistoria.

 

PODERIA SER EVITADO

 

O questionamento é: por que a Secretaria de Justiça não acionou o Exercito para fazer essa varredura antes da inauguração? Ou os próprios agentes penitenciários que lhe são subordinados? Assim, os materiais seriam aprendidos antes da lotação dos servidores na unidade, e estes não seriam postos sob essa injusta suspeita. E a mais grave das consequências é o risco à sociedade. Talvez, as doze fugas, sete dias após a inauguração, também não teria ocorrido se a Sejus tivesse providenciado a minuciosa revista antes da inauguração.

 

O que não é injusto é mais uma vez os agentes penitenciários ter que pagar por causa da ineficiência e irresponsabilidade administrativa do secretário de Justiça, o coronel da PM Marcos Rocha, que, ao invés de valorizar e defender a categoria de servidores que integra sua pasta, e que serve ao sistema gerido por ele, de forma inversa, age como tentasse denegrir a imagem dos agentes penitenciários, omitindo verdades e plantando inverdades na imprensa.

 

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